Curso de extensão SCHWANKE, Arquivo, Interlocuções e Desdobramentos | Plataforma Educativa

Curso de extensão SCHWANKE, Arquivo, Interlocuções e Desdobramentos

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Título:
Luiz Henrique Schwanke, Arquivo, Interlocuções e Desdobramentos

Cronograma:
Quatro sábados: 20 de agosto, 17 de setembro, 8 de outubro, 5 de novembro: 8h às 12h; 14h às 18h – com coffee-break. Cada encontro será de 10 horas/aula, total de 40 horas/aula

Local:
Instituto Schwanke, rua João Colin, 1.285, sobreloja da Brasilauto, bairro América, Joinville tel.: (47) 9919-3680/3433-2522 instituto.schwanke@gmail.com

Promoção:
Instituto Schwanke, Univille, PPGAV- Ceart/Udesc e Fundação Badesc

I- Ementário:
A obra de Luiz Henrique Schwanke a partir da singularidade de seu repertório e arquivo; os paradoxos contidos nas obras e trabalhos; as filiações e pertencimentos inscritos na história da arte; as experimentações que marcaram sua produção e que reverberam até a contemporaneidade.

II- Objetivos:
A partir da obra de Schwanke:
*Identificar as singularidades que compõem seu arquivo conceitual e imagético.
*Considerar os principais paradoxos contidos no seu gesto: racional (geometria, matéria)/emocional (gestual e expressão).
*Reconhecer suas filiações e pertencimentos inscritos na história da arte.
*Reconhecer suas experimentações que marcaram sua produção e que reverberam entre os artistas mais recentes.

III- Principais fundamentos conceituais
** O arquivo e seu campo de saberes
Pertence a Michel Foucault a reflexão sobre ser o arquivo, não um lugar onde se encontra a soma de textos guardados e nem um mero depositório de testemunhos do passado e das instituições, mas um sistema de enunciados que faz com que as coisas se tornem compostos de heranças e esquecimentos em constante atualização. Trata-se da dimensão imaterial que se rearma por fragmentos e níveis, permite formular diagnósticos e reconhecer padrões. Conforme tal entendimento, o arquivo pressupõe que os corpos de textos e falas estão situados em meio a descontinuidades, translações simbólicas e coexistências, possibilitando pensar como as práticas engendram saberes. Ao recusar um recorte global ou biológico, sociológico ou psicológico, bem como um retorno à origem, salienta as regularidades que se colocam frente a outras regularidades, conforme uma relação estratégica que faz sentido num campo de verdades discursivas.
De sua parte, em entrevista concedida a Pedro Romero em 2007, o historiador da arte Georges Didi Huberman observa que, assim como Michel Foucault pensou os discursos numa situação de arquivo de saberes e poderes, sempre em situação de disputas e tensões, sujeito a deslocamentos e desvios, seria também preciso pensar o arquivo de imagens em clave de montagem interpretativa. Não sendo o arquivo um simples manancial edênico ou campo neutro, trata-se de colocar o arsenal discursivo sob suspeita e pensar as imagens como ferramentas a serviço de um uso crítico e clínico.

Afastando-se do que considera uma iconologia empobrecida do signo, indo de referências como Warburg e Benjamin, Eisenstein e Brecht até Freud e Godard, o historiador reivindica uma abordagem capaz de alcançar cintilações e sintomas situados numa espécie de inconsciente da visão. Daí decorre a compreensão de que as imagens, muito antes de serem portadoras de história, foram e continuam sendo portadoras de memória. Interrogando a ideia de que nelas cabem apenas os enquadramentos cronológicos, reconhece seu poder de ultrapassar as molduras de uma época, permite novas configurações e proximidades empáticas. Trata-se de uma prática que dispensa classificações e hierarquias em proveito de travessias obtidas por meio de infinitas leituras e conexões.

Ao combinar as leituras de Foucault e os desdobramentos de Didi- Huberman, e considerando diversos casos exemplares, Ana Maria Guasch acolhe o entendimento de arquivo segundo diferentes concepções, tais como atlas para Aby Warburg, coleção fragmentária para Walter Benjamin, álbum para Hannah Hoch ou para Annette Messager, registro para Mallevich, acumulação para Andy Warhol, campo de verdades discursivas em Foucault e assim por diante.

** As experimentações como diferença
A partir das interlocuções conceituais que aqui comparecem e suas implicações em relação aos arquivos artísticos, pode-se considerar que todo arquivo é ímpar, na medida em que se relaciona ao repertório visual e conceitual, seja plástico ou teórico, ficcional ou documental que cada artista traz e processa no interior de seu trabalho como índice de um pensamento em constante experimentação. Assim, cada artista é portador de um sistema de enunciados e imagens no qual incidem referências e memórias, sensibilidades e habilidades, construções poéticas e soluções matéricas, noções operatórias, alternativas de fatura, etc.

*O século 20 viu emergir uma linhagem de artistas inquietos e proliferantes que não podem ser reconhecidos por uma unidade temática nem estilística. A esta linhagem pertencem nomes que vão de Duchamp, Joseph Beuys, Bruce Nauman, Anselm Kieffer e Francis Alÿs, até artistas brasileiros como Flávio de Carvalho, Lygia Pape e Hélio Oiticica. Em comum, têm o fato de utilizar diversos materiais e procedimentos, através de gestos nos quais as implicações sobre a linguagem e sua materialidade se encontram em incessante experimentação. Cada um a sua maneira, apresenta diferentes processos, cujas sutilezas remetem ao problema das referências, interlocuções e repertórios e suas combinações, frequentemente inusitadas e paradoxais. Assim, é um modus operandi que os aproxima, como é também um fio muito sutil que permite lê-los, reconhecer uma espécie de poder da obra enquanto portadora do movimento incessante de protensão e retenção, espaçamento e desejo de presença, clausura e exterioridade do tempo-espaço.

Por sua vez, ao longo do último século muitos artistas, homens e mulheres, colocaram-se diante da tarefa de fazer surgir um feito e desvencilhar-se de convenções e padrões de representação, mantendo-se fora da zona de conforto em proveito de uma linguagem pensante que habita a zona de risco. É de Joseph Kosuth a defesa de que “ser artista agora significa questionar a natureza da arte”. Para além de um produto estético, da subjetividade romântica e da arte como mera expressão individual, trata-se da investigação de problemas, de perscrutar inquietações ultrapassar os limites sobre “o que isto quer dizer” para por-se diante de um “o que é isto” .

IV- Conteúdo programático:
1- Quem era, os escritos e a fortuna crítica (seu arquivo conceitual e imagético/ filiações e pertencimentos inscritos na história da arte).

**Luiz Henrique Schwanke (Joinville, 1951-92) / Comunicação Social-UFPR, 1974). Entre os anos70-80: cerca de 20 anos de produção vasta e vigorosa com cerca de 5 mil peças entre desenhos, pinturas, instalações, esculturas, projetos; cerca de 30 prêmios nacionais, exposições individuais, salões, obras em museus de SP, RJ.
-cartas para críticos (Harry Laus, Frederico Morais…), apoiadores, jornalistas…
-documentava seus processos e procedimentos: menos a mão do artista e mais o pensamento do artista. Exs.: contemplação do impossível, vl. do imaterial: Cubo de Luz-Antinomia (Bienal de SP, 1991/5,5 m no jardim com 80 refletores, equivalente em luminosidade de um campo de futebol).
-interesse pela natureza da matéria. Ex.: plástico em objetos e instalações/land art; instalações e monumentos com metal/ materiais de uso trivial, doméstico: baldes de plástico, pregadores, mangueiras, bananas, espigas (apropriação cotidiana e industrializada: papelão, carvão, giz, madeira velha, objetos/ produção serial).
-esforços para contornar o beco sem saída de reprisar sempre os mesmos temas ou procedimentos: conhecimento e desdobramento do repertório da história da arte: renascimento e barroco, dadaísmo e ready-made, construtivismo e minimalismo, pop, arte povera e neo expressionismo (dimensões concomitantes: mão reflexiva e calculista, caráter expressivo, dramático e sensual; apreço aos paradoxos entre razão e sentido, prazer e contenção.
Exs.: questões sobre a luz: Guido Reni, A. de Messina,, G. de La Tour, Dan Flavin/ apogeu do claro-escuro em Caravagio, A Casa Tomada (Galeria Sergio Milliet, RJ)/ questões da cor: Aluísio Carvão (cubo cor, a cor em si mesma).
-leituras: biblioteca com Julio Cortázar, E. Poud, Roland Barthes,Jean Baudrillard, J. Joyce, Merleau- Ponty, Fernando Pessoa+ livros de direito e física + livros de história da arte.

2- AS SÉRIES (principais paradoxos contidos no seu gesto: racional: geometria, matéria / emocional: gestual e expressão).

*SONETOS (anos 80) abandono das letras e palavras escritas, geometria das linhas/ 85, sonetos decalques= aguçada percepção e ironia (concretismo, pop art).
*DESENHOS (design e HA)
*ANAMORFOSES e CRISTOS
*LINGUARUDOS/ CALÇÕES (neo-expressionismo, informalismo, pop art)
* PINTURA DEPOIS DA PINTURA (telas não pintadas, uso de material plástico/ Fervura)
* CAIXAS (ready made, Fluxus)
*BRASILIDADE (1987): papelão e frutas plásticas, Funarte (pop art; arte povera)
*PROJETO OUTDOOR SCHWANKE (1991), primeiro e único da série Xaisérie, desaparecido e depois encontrado em uma tela da série: A Casa Tomada, desenhos que não deram certo: semelhante a uma pequena charada (neo-concretismo).
*PERCURSO DO CÍRCULO (CARROSSEL) depois dos trabalhos em plástico, retorno ao mais conceitual.
* COBRA CORAL/ COLUNAS (land art)
* A LUZ (barroco, minimalismo)
A DEPOSIÇÃO DE CRISTO DE CARAVAGGIO (1990)
PARALEPÍPEDO DE LUZ (1990)
CUBO DE LUZ, ANTINOMIA (Bienal de SP, 1991)

V-Metodologia de ensino:
*Aulas expositivo-dialogadas com recursos audiovisuais (a partir de obras do artista).
*Seminário e leituras dirigidas em cada encontro.
*Texto escrito como avaliação final (depois da correção, o mesmo fará parte de uma publicação cujo tema será o conteúdo das aulas e seu desdobramento a partir da obra do artista)

VI- Bibliografia:
AGAMBEN, Giorgio. O autor como gesto. In: Profanações. São Paulo: Boitempo, 2002.
__________________. O que é o contemporâneo e outros ensaios. Chapecó, Argos, 2010.
ARASSE, Daniel. Le Detail. Paris: Flammarion, 2006
______________. Le Sujet. Paris: Flammarion, 2006.
ARCHER, Michael. Arte contemporânea. S.P.: Martins Fontes, 2001.
BARTHES, Roland. O rumor da língua. S.P.: Brasiliense, 1988.
________________. Texto (teoria do). In: Inéditos, vl 1, p. 261 e seg. S.P.: Martins Fontes, 2004.
BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas. S.P.: Brasiliense, vl I a III, 1985-1988.
BATAILLE, Georges. O erotismo. Porto Alegre: L & PM, 1987.
BRITO, Ronaldo. Experiência Crítica. S.P.: Cosac Naify, 2005.
CABANNE, Pierre. Marcel Duchamp: Engenheiro do Tempo Perdido. S.P.: Perspectiva, 2002.
CAILLOIS, Roger. Os jogos e os homens., Lisboa: Cotovia, 1990.
COCCIA, Emanuele. A vida sensível. Desterro: Cultura e Barbárie, 2010.
DELEUZE, Gilles. A lógica do sentido. São Paulo: Perspectiva, 2007
_______________. A lógica da sensação. Rio de Janeiro: Zahar, 2007
_______________. Pintura. El concepto de diagrama. Buenos Aires: Cactus, 2007.
_______________. O que é filosofia. R.J.: Ed. 34, 1993.
DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. Diferença e Repetição. R.J.: Graal, 1988.
DERRIDA, Jacques. As artes espaciais: uma entrevista com Jacques Derrida. In: Pensar em não ver, escritos sobre as artes do visível. Florianópolis: Ed. Ufsc, 2012.
DIDI-HUBERMAN, Georges. Devant L’Image. Paris: Les Éditions de Minuit, 1990
________________________. Ante el tiempo. Buenos Aires: Adriana Hidalgo, 2006.
_________________________.O que vemos, o que nos olha. S.P.: ed. 34, 1998.
DUARTE, Paulo Sérgio & Salles. Arte brasileira contemporânea. R.J.: Sílvia Roesles Ed. de Arte, 2008.
DUCHAMP, Marcel. O Ato Criador. In: BATTCOCK, Gregory. A Nova Arte. São Paulo: Perspectiva, 2004.
FERREIRA, Glória & COTRIM, Cecilia. Escritos de artistas. R.J.: Zahar, 2006.
FOUCAULT, Michel. Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995, caps. III e IV.
FOUCAULT, Michel. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. R. J.: Forense, 2001.
FOCILLON, Henri. Vida das formas. Rio de Janeiro: Zahar, 1983, cap. V.
FREUD, S. Para além do princípio do prazer. In: Obras Psicológicas Completas. R. J: Imago, 1996, vl. XVIII.
FOSTER, Hal. O retorno do real: a vanguarda no final do século XX. São Paulo: Cosac Naify, 2014, p. 159-186.
GUASCH, Anna Maria. Arte y archivo. 1920-2010. Genealogías, tipologias y descontinuidades. Madrid: Ed. Akal, S.A., 2011.
KRAUSS, Rosalind. La originalidad de la vanguardia Y otros mitos modernos. Madrid: Alianza, 1996.
________________. Caminhos da Escultura moderna. S.P.: Martins Fontes, 1998
LACAN, Jacques. O Seminário. R.J.: Zahar, 1998.
MALRAUX, André. O museu imaginário. Lisboa: Ed. 70, 2000.
MORAES, Angélica de. Pintura Reencarnada. S.P.: Imprensa Oficial, 2005..
NIETZSCHE, Friedrich. Os Pensadores, Obras Incompletas. S.P.: Nova Cultura, 1987. vl I e II.
RANCIERE, Jacques. O inconsciente estético. São Paulo: Ed. 34, 2002.
_________________. A partilha do sensível. São Paulo: Ed. 34, 2009.
_________________. O destino das imagens. R.J.: 2012.

Serviço
O quê: Curso de extensão: Luiz Henrique Schwanke, Arquivo, Interlocuções e Desdobramentos

Quando: nos sábados: 20 de agosto, 17 de setembro, 8 de outubro, 5 de novembro: 8h às 12h; 14h às 18h – com coffee-break. (40 horas/aula com certificação da Univille)

Onde: Instituto Schwanke, rua Dr. João Colin, 1.285, sobreloja da Brasilauto, bairro América, Joinville tel.: (47) 9119-3680/3433-2522 institutoschwanke@gmail.com

Quanto: R$ 400,00 (possível em duas vezes com cheque para 20 agos. e 8 de out.)
Realização: Instituto Schwanke, Univille, Programa de Pós-graduação em Artes Visuais Ceart/Udesc e Fundação Badesc

Saiba mais: www.schwanke.org.br e www . https://www.facebook.com/macschwanke

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